sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Boas Férias!

Apesar de termos prometido que o "Arrumadores de Palavras" não encerraria para férias, surgiram imprevistos que nos vão obrigar a quebrar a "promessa".
A partir de hoje, e até final deste mês, estaremos ausentes.
Regressaremos com energia redobrada e muitas novidades!
Até lá... BOAS FÉRIAS!

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

O limpa-palavras

O limpa-palavras

Limpo palavras.
Recolho-as à noite, por todo o lado:
A palavra bosque, a palavra casa, a palavra flor.
Trato delas durante o dia
Enquanto sonho acordado.
A palavra solidão faz-me companhia.

Quase todas as palavras
Precisam de ser limpas e acariciadas:
A palavra céu, a palavra nuvem, a palavra mar.
Algumas têm mesmo de ser lavadas,
é preciso raspar-lhes a sujidade dos dias
E do mau uso.
Muitas chegam doentes,
Outras simplesmente gastas, estafadas,
Dobradas pelo peso das coisas
Que trazem às costas.

A palavra pedra pesa como uma pedra.
A palavra rosa espalha o perfume no ar.
A palavra árvore tem folhas, ramos altos.
Podes descansar à sombra dela.
A palavra gato espeta as unhas no tapete.
A palavra pássaro abre as asas para voar.
A palavra coração não pára de bater.
Ouve-se a palavra canção.
A palavra vento levanta os papéis no ar
E é preciso fechá-la na arrecadação.

No fim de tudo voltam os olhos para a luz
E vão para longe, leves palavras voadoras
Sem nada que as prenda à terra,
Outra vez nascidas pela minha mão:
A palavra estrela, a palavra ilha, a palavra pão.

A palavra obrigado agradece-me.
As outras, não.
A palavra adeus despede-se.
As outras já lá vão, belas palavras lisas
E lavadas como seixos do rio:
A palavra ciúme, a palavra raiva, a palavra frio.
Vão à procura de quem as queira dizer,
De mais palavras e de novos sentidos.
Basta estenderes um braço para apanhares
A palavra barco ou a palavra amor.

Limpo palavras.
A palavra búzio, a palavra lua, a palavra palavra.
Recolho-as à noite, trato delas durante o dia.
A palavra fogão cozinha o meu jantar.
A palavra brisa refresca-me.
A palavra solidão faz-me companhia.

Álvaro Magalhães

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Palavras...


Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O'Neill

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Mistérios da Natureza...

Gaivotas

(...) Tive a oportunidade de apreciar um espectáculo natural (e natural significa sem a intervenção da mão do homem) maravilhoso, que me deixou de boca aberta, tal era a perfeição com que todos os movimentos eram executados. Na tarde do primeiro dia de Janeiro estive algum tempo em frente ao mar. Estava revolto mas lindo como sempre. Sobre o extenso areal, gaivotas, muitas gaivotas "brincavam" e o termo apropriado é mesmo este, brincavam no ar em pleno voo.
Reparei então que as gaivotas desciam rapidamente à areia, prendiam no bico pequenas conchas, levantavam voo e a uma altura, sensivelmente de 6 ou 7 metros, largavam a concha presa no bico. Esta, pela força da gravidade, descia na vertical. A gaivota impulsionando o corpo, descia a pique e tentava apanhar a concha largada segundos antes, em pleno voo.Quando não conseguia, descia novamente, apanhava a concha, elevava-se no ar e voltava a largá-la, para voltar a apanhá-la ainda no ar.
Foi um espectáculo! Estive a admirar estes jogos de gaivotas, perto de uma hora e deu-me que pensar.
Quem ensinou estes seres a brincar?
Por que o faziam?
Como o Homem arranja sempre explicação para tudo, imaginámos que seria para treino, ou até para ensinar as crias a recuperarem os peixes que depois de apanhados lhes possam cair do bico, em voo.

Profª Margarida Rita
(excerto de e.mail enviado em Janeiro deste ano)

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Tempo...

Tempo

Dou-te o tempo,
dou-te o vento,
dou-te as asas
de um momento.
Dou-te a terra,
dou-te a enxada,
dou-te as mãos
pela alvorada.
Dou-te o frio,
dou-te a chama,
dou-te o fogo
de quem ama.
Dou-te a sede,
dou-te o vinho,
dou-te o cacho
de um carinho.
Dou-te a fome,
dou-te o pão,
dou-te a espiga
de uma paixão.
Dou-te a noite,
dou-te a luz,
dou-te o brilho
que me seduz.
E quando nada mais
tiver para te dar,
ficarei à tua espera
com tempo p’ra te amar.

domingo, 3 de agosto de 2008

Nostalgia em fim de tarde...


(Ligar o som)

EU NÃO SEI QUEM TE PERDEU

Quando veio
Mostrou-me as mãos vazias,
As mãos como os meus dias,
Tão leves e banais.
E pediu-me
Que lhe levasse o medo,
Eu disse-lhe um segredo:
"Não partas nunca mais".
E dançou,
Rodou no chão molhado,
Num beijo apertado
De barco contra o cais.
Uma asa voa
A cada beijo teu,
Esta noite sou
Dono do céu,
Eu não sei quem te perdeu.
Abraçou-me
Como se abraça o tempo,
A vida num momento
Em gestos nunca iguais.
E parou,
Cantou contra o meu peito,
Num beijo imperfeito
Roubado nos umbrais.
E partiu
Sem me dizer o nome,
Levando-me o perfume
De tantas noites mais.
Uma asa voa
A cada beijo teu,
Esta noite sou
Dono do céu,
Eu não sei quem te perdeu.

Pedro Abrunhosa

sábado, 2 de agosto de 2008

As Rosas

As Rosas

Quando à noite desfolho e trinco as rosas
É como se prendesse entre os meus dentes
Todo o luar das noites transparentes,
Todo o fulgor das tardes luminosas,
O vento bailador das primaveras,
A doçura amarga dos poentes,
E a exaltação de todas as esperas.

Sophia de Mello Breyner Andresen

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Sem ti...

O sol e o dia brilham mas, sem ti,
Talvez não sejam mais o sol e o dia.
O sol e o dia agora
Estão lá onde o teu sorriso mora
E não aqui.

Sophia de Mello Breyner

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Boas Férias! :-)

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terça-feira, 29 de julho de 2008

Amigo é...

Amigo

Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo».

«Amigo» é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!

«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!
«Amigo» é o erro corrigido,

Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.

«Amigo» é a solidão derrotada!

«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!

Alexandre O’Neill
(Poema enviado por um Amigo)

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Amigo...


Procura-se um amigo...

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração.

Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir.

(...)

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância.

Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade.

(...)

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo.

Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

Vinicius de Moraes

domingo, 27 de julho de 2008

Lágrimas Ocultas...

Lágrimas Ocultas

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

Florbela Espanca

sábado, 26 de julho de 2008

26 de Julho - Dia dos Avós...

De Meus Avós...

De meus Avós,
Uma terna recordação.
Um recuar no tempo, meus anos de menina.
Um casarão,
Um sótão,
Uma escada em caracol,
Um piano,
Tectos pintados cheios de luz,
Cheios de sol,
E-TO-DO-TEM-PO-DO-MUN-DO para amar uma traquina.

De meus Avós,
Uma imagem com pormenor,
Que guardo na minha retina.
Uma vontade maior
De cantar bem alto,
Tão alto quanto um farol,
O que ainda sei de cor,
Por ouvir ao adormecer canções de embalar,
Em dó ou ré ou mi fá sol.

Profª Margarida Rita


Avó Materna

Da minha avó materna,
Uma recordação terna
Diluída no passado...
Um azul-céu no olhar
E um sorriso a bailar
No rosto já enrugado...
Bem presente na memória
Uma boneca, uma história
Que me tem acompanhado...
E a doce avó franzininha
Continua “viva” e minha,
Luz etérea, a meu lado...

Neta nostálgica

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Puzzles do Noddy

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terça-feira, 22 de julho de 2008

Saldos (na perspectiva dos homens)


De todas as palavras da língua portuguesa, há duas que têm um poder quase sobrenatural sobre o ser humano.
Para os homens, é a palavra SEXO, enquanto que para as mulheres é, sem dúvida, a palavra SALDOS.

Quando chega essa altura do ano, é ver os centros comerciais de todo o país a encherem-se de mulheres zombificadas a, literalmente, arrastarem os seus namorados/maridos/amantes pelos corredores intermináveis dos centros e a entrarem em TODAS as lojas que tenham a palavra "Saldos" na montra... Mesmo que seja uma loja de ferragens!! Tipo:
- Olha ali, querido! Uma caixa de 100 pregos em aço inoxidável com 50% de desconto!!! Vou comprar!

A palavra SALDOS tem uma espécie de poder mangético sobre as mulheres. Aliás, deixo desde já aqui um conselho para alguns dos nossos leitores:
- JOVEM, és feio que nem um sapo com acne? Tens tanto jeito para engatar miúdas como o Zé Cabra tem para cantar? A experiência mais próxima a estar com uma mulher que já tiveste foi andar aos beijos com uma fotografia da Catarina Furtado que veio na revista Maria?
Então nós temos a SOLUÇÃO para ti!!!
Põe uma placa com a palavra SALDOS na testa, e vais ver as miúdas todas a correr na tua direcção que nem cães esfomeados atrás de um presunto!
Sucesso garantido!

Do lado de fora das lojas, encostados ao frio e desconfortável corrimão, ficam os pobres e desgraçados homens. Mesmo sem se conhecer, olham-se mutuamente com uma expressão conformada, como quem diz: "Cá estamos mais uma vez... É a vida..."
Durante o resto do ano, o homem pode ter a função de amigo, confidente ou amante, mas na altura dos saldos, a sua única função é......... Segurar nas sacas das compras!!! Assim tipo, cabide com pernas...

Lá dentro é o caos! Qual tsunami, qual quê?! A confusão é tão grande, que correm boatos que dizem que a Al-Qaeda esteve para fazer um atentado no Centro Comercial Colombo o ano passado. A nossa salvação foi que estávamos na altura dos saldos. Os terroristas chegaram lá e viram tanta destruição que pensaram que já alguém tinha feito um atentado primeiro e desistiram da ideia.
É roupa nas mesas, roupa nas cadeiras, roupa no chão, roupa no tecto... enfim, mulher que é mulher não pode deixar uma peça de roupa na prateleira.

Depois vem a pior parte: experimentar!
São filas intermináveis à porta das cabines de prova com dezenas de mulheres com a sua peça de roupa escolhida que, por acaso, já foi experimentada por mais 572 mulheres nos últimos 30 minutos, entre elas, uma velhota de 95 anos com as peles penduradas, uma miúda que se recusa a cortar os pêlos dos sovacos, uma pensionista que toma banho de 3 em 3 meses e uma rapariguinha que estava constipada, coitadinha, e espirrou umas dez vezes para cima daquilo.
Mesmo sabendo de tudo isto, elas insistem em vestir a sua "conquista" e tê-la bem encostadinha ao corpo... Que delícia!

Por fim, chega a minha parte preferida... Quando elas nos vêm pedir opinião!
Ela: Ó querido, vê lá estas calças... como é que ficam?
Ele: Ficam bem...
Ela: Oh! Dizes sempre que fica bem! Só estás a dizer isso para poderes ir embora!
Ele: Ok, pronto... então ficam mal...
Ela: FICAM MAL?!? Anda lá! Fala a sério!
Ele: Eu até gosto, mas tu não compraste umas exactamente iguais a essas há 12 lojas atrás?
Ela: És mesmo homem! Não percebes nada disto! Não vês que as outras eram azul-baleia e estas são azul-golfinho?! Ainda por cima, estas têm aqui estes dois pontinhos brancos nos bolsos! É MUITO diferente!
Ele: Ah... Tou a ver... Então olha, será que posso levar aquela loira que ali está connosco para casa?
Ela: Tás parvo?! Que conversa é essa?!
Ele: És mesmo mulher! Não percebes nada disto! Não vês que esta tem o cabelo amarelo-dourado e o teu é amarelo-oxigenado?! Ainda por cima, esta tem peito 38! É MUITO diferente!

Acho que não preciso de dizer que o desgraçado que dissesse uma coisa destas levava com uma lambada tão grande no focinho que ia parar directo ao hospital.
Perante uma situação dessas, só um pensamento poderia passar pela cabeça de todos os outros homens presentes:
"Sortudo... ao menos já conseguiu ir embora..."

João Miguel Marques

segunda-feira, 21 de julho de 2008

O Homem não muda :-)

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sexta-feira, 18 de julho de 2008

Sonhos...


Os sonhos são a literatura do sono

Jean Cocteau

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Gansos Valentes

Gansos Valentes

Era uma vez uma raposa muito malvada.
Ela foi a uma casa, numa das ruas de Paradela, onde havia gansinhos pequeninos e patos pequeninos. O pai dos gansinhos não deixava a malvada da raposa comer galinhas, que era o passatempo preferido dela.
Certo dia, a raposa aproximou-se dessa casa e, já dentro do galinheiro, disse:
- Então, galinhas, estão prontas para serem comidas?
O pai ganso disse assim:
- Não, não! Porque eu sou muito forte, e não deixo as raposas ou qualquer outro bicho comer as galinhas! Dou-lhes uma ferradela no rabo, se tentarem!
A raposa veio a casa do João e comeu uma galinha.
O ganso, vendo tal acto, juntamente com os seus filhotes e os patos, deu-lhe uma valente ferradela no rabo.
A raposa, cheia de dores, fugiu pela estrada fora, ao mesmo tempo que todos os animais da aldeia e todos os moradores de Paradela iam a correr atrás dela, com imensas ferramentas para a matarem.
A raposa, muito malvada, meteu-se por um caminho que vai dar ao S. Gonçalo e… nunca mais ninguém a viu.

João Campos, 6 anos, e Inês Campos, 13 anos

terça-feira, 15 de julho de 2008

Sentimentos...


Não confundas o amor com o delírio da posse, que acarreta os piores sofrimentos. Porque, contrariamente à opinião comum, o amor não faz sofrer. O instinto de propriedade, que é o contrário do amor, esse é que faz sofrer. (...) Eu sei assim reconhecer aquele que ama verdadeiramente: é que ele não pode ser prejudicado. O amor verdadeiro começa lá onde não se espera mais nada em troca.

Antoine de Saint-Exupéry, in "Cidadela"

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Adivinhas...


Sabes adivinhas? Testa aqui os teus "conhecimentos".