domingo, 5 de outubro de 2008

As minhas "ternuras"...

(A Gigi já nos "deixou"... Ficou a sua presença nos nossos corações.)

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sábado, 4 de outubro de 2008

4 de Outubro - Dia Mundial dos Animais

(Licas... uma cadelita abandonada, acolhida por uma professora da nossa escola)


Um dia, gastos voltaremos
A viver livres como os animais
E mesmo tão cansados floriremos
Irmãos vivos do mar e dos pinhais.


O vento levará os mil cansaços
Dos gestos agitados irreais
E há-de voltar aos nossos membros lassos
A leve rapidez dos animais.


Só então poderemos caminhar
Através do mistério que se embala
No verde dos pinhais na voz do mar
E em nós germinará a sua fala.


Sophia de Mello Breyner Andersen

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Porque... Ainda há pessoas assim...

Porque

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner

domingo, 28 de setembro de 2008

28 de Setembro - Dia Mundial do Coração

(Clicar sobre a imagem para aumentar)

Tenha um CORAÇÃO para a VIDA!

Informe-se no site da Fundação Portuguesa de Cardiologia


Poema do Coração

"Eu queria que o Amor estivesse realmente no coração,
e também a Bondade,
e a Sinceridade,
e tudo, e tudo o mais, tudo estivesse realmente no coração
Então poderia dizer-vos:
"Meus amados irmãos,
falo-vos do coração",
ou então:
"com o coração nas mãos".

Mas o meu coração é como o dos compêndios
Tem duas válvulas ( a tricúspide e a mitral)
e os seus compartimentos (duas aurículas e dois ventrículos).
O sangue a circular contrai-os e distende-os
segundo a obrigação das leis dos movimentos.

Por vezes acontece
ver-se um homem, sem querer, com os lábios apertados
e uma lâmina baça e agreste, que endurece
a luz nos olhos em bisel cortados.
Parece então que o coração estremece.
Mas não.
Sabe-se, e muito bem, com fundamento prático,
que esse vento que sopra e ateia os incêndios,
é coisa do simpático.
Vem tudo nos compêndios.

Então meninos!
Vamos à lição!
Em quantas partes se divide o coração?"

António Gedeão

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Imaginação...

Entrei no café com um rio na algibeira
e pu-lo no chão,
a vê-lo correr
da imaginação...

A seguir, tirei do bolso do colete
nuvens e estrelas
e estendi um tapete
de flores
a concebê-las.

Depois, encostado à mesa,
tirei da boca um pássaro a cantar
e enfeitei com ele a Natureza
das árvores em torno
a cheirarem ao luar
que eu imagino.

E agora aqui estou a ouvir
A melodia sem contorno
Deste acaso de existir
-onde só procuro a Beleza
para me iludir
dum destino.

José Gomes Ferreira

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Semente...

SEMENTE...


No ardor dos corpos flamejantes

fundiu-se no solstício a semente

dos dias difíceis e distantes.

Enfunaram-se as velas da bonança,

cresceram nos campos girassóis,

transbordaram os rios de esperança

reluzindo como brilho de mil sóis.

Em Setembro suspirou e deu o fruto

que o calor do tempo tornou maduro

e dele um dia desabrochou

aquele coração que é o mais puro.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Quando eu nasci...

Quando eu nasci,
Ficou tudo como estava.

Nem homens cortaram veias,
Nem o Sol escureceu,
Nem houve Estrelas a mais...
Somente,
Esquecida das dores,
A minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
Não houve nada de novo
Senão eu.
As nuvens não se espantaram,
Não enlouqueceu ninguém...

P'ra que o dia fosse enorme,
Bastava
Toda a ternura que olhava
Nos olhos de minha Mãe...

Sebastião da Gama



(Este poema foi-nos enviado por uma professora da nossa escola que, hoje, comemora mais um aniversário. Não revelamos a sua identidade porque nos pediu que mantivéssemos o anonimato.

Os nossos Parabéns e votos de Felicidades!)

sábado, 20 de setembro de 2008

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

O Carinho não precisa de legendas...



(Fotos enviadas pela professora Zulmira Ramos)

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Reflexão... em início de ano lectivo.

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

Ricardo Reis
(Este poema de Ricardo Reis, heterónimo de Fernando Pessoa, foi-nos gentilmente enviado por LN)

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Calendário Escolar - 2008/2009

Calendário Escolar
(Clicar para aumentar)

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Recomeçar...

Neste Recomeço...

Onde queres chegar? Ir alto? Sonha alto...
Deseja o melhor do melhor... Deseja coisas boas para a vida...
Pensando assim, traremos para nós aquilo que desejamos...
Se pensarmos pequeno, coisas pequenas teremos...
Se desejarmos fortemente o melhor e principalmente lutarmos pelo melhor, o melhor vai instalar-se na nossa vida...

Carlos Drummond de Andrade (adaptado)

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Boas Férias!

Apesar de termos prometido que o "Arrumadores de Palavras" não encerraria para férias, surgiram imprevistos que nos vão obrigar a quebrar a "promessa".
A partir de hoje, e até final deste mês, estaremos ausentes.
Regressaremos com energia redobrada e muitas novidades!
Até lá... BOAS FÉRIAS!

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

O limpa-palavras

O limpa-palavras

Limpo palavras.
Recolho-as à noite, por todo o lado:
A palavra bosque, a palavra casa, a palavra flor.
Trato delas durante o dia
Enquanto sonho acordado.
A palavra solidão faz-me companhia.

Quase todas as palavras
Precisam de ser limpas e acariciadas:
A palavra céu, a palavra nuvem, a palavra mar.
Algumas têm mesmo de ser lavadas,
é preciso raspar-lhes a sujidade dos dias
E do mau uso.
Muitas chegam doentes,
Outras simplesmente gastas, estafadas,
Dobradas pelo peso das coisas
Que trazem às costas.

A palavra pedra pesa como uma pedra.
A palavra rosa espalha o perfume no ar.
A palavra árvore tem folhas, ramos altos.
Podes descansar à sombra dela.
A palavra gato espeta as unhas no tapete.
A palavra pássaro abre as asas para voar.
A palavra coração não pára de bater.
Ouve-se a palavra canção.
A palavra vento levanta os papéis no ar
E é preciso fechá-la na arrecadação.

No fim de tudo voltam os olhos para a luz
E vão para longe, leves palavras voadoras
Sem nada que as prenda à terra,
Outra vez nascidas pela minha mão:
A palavra estrela, a palavra ilha, a palavra pão.

A palavra obrigado agradece-me.
As outras, não.
A palavra adeus despede-se.
As outras já lá vão, belas palavras lisas
E lavadas como seixos do rio:
A palavra ciúme, a palavra raiva, a palavra frio.
Vão à procura de quem as queira dizer,
De mais palavras e de novos sentidos.
Basta estenderes um braço para apanhares
A palavra barco ou a palavra amor.

Limpo palavras.
A palavra búzio, a palavra lua, a palavra palavra.
Recolho-as à noite, trato delas durante o dia.
A palavra fogão cozinha o meu jantar.
A palavra brisa refresca-me.
A palavra solidão faz-me companhia.

Álvaro Magalhães

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Palavras...


Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O'Neill

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Mistérios da Natureza...

Gaivotas

(...) Tive a oportunidade de apreciar um espectáculo natural (e natural significa sem a intervenção da mão do homem) maravilhoso, que me deixou de boca aberta, tal era a perfeição com que todos os movimentos eram executados. Na tarde do primeiro dia de Janeiro estive algum tempo em frente ao mar. Estava revolto mas lindo como sempre. Sobre o extenso areal, gaivotas, muitas gaivotas "brincavam" e o termo apropriado é mesmo este, brincavam no ar em pleno voo.
Reparei então que as gaivotas desciam rapidamente à areia, prendiam no bico pequenas conchas, levantavam voo e a uma altura, sensivelmente de 6 ou 7 metros, largavam a concha presa no bico. Esta, pela força da gravidade, descia na vertical. A gaivota impulsionando o corpo, descia a pique e tentava apanhar a concha largada segundos antes, em pleno voo.Quando não conseguia, descia novamente, apanhava a concha, elevava-se no ar e voltava a largá-la, para voltar a apanhá-la ainda no ar.
Foi um espectáculo! Estive a admirar estes jogos de gaivotas, perto de uma hora e deu-me que pensar.
Quem ensinou estes seres a brincar?
Por que o faziam?
Como o Homem arranja sempre explicação para tudo, imaginámos que seria para treino, ou até para ensinar as crias a recuperarem os peixes que depois de apanhados lhes possam cair do bico, em voo.

Profª Margarida Rita
(excerto de e.mail enviado em Janeiro deste ano)

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Tempo...

Tempo

Dou-te o tempo,
dou-te o vento,
dou-te as asas
de um momento.
Dou-te a terra,
dou-te a enxada,
dou-te as mãos
pela alvorada.
Dou-te o frio,
dou-te a chama,
dou-te o fogo
de quem ama.
Dou-te a sede,
dou-te o vinho,
dou-te o cacho
de um carinho.
Dou-te a fome,
dou-te o pão,
dou-te a espiga
de uma paixão.
Dou-te a noite,
dou-te a luz,
dou-te o brilho
que me seduz.
E quando nada mais
tiver para te dar,
ficarei à tua espera
com tempo p’ra te amar.

domingo, 3 de agosto de 2008

Nostalgia em fim de tarde...


(Ligar o som)

EU NÃO SEI QUEM TE PERDEU

Quando veio
Mostrou-me as mãos vazias,
As mãos como os meus dias,
Tão leves e banais.
E pediu-me
Que lhe levasse o medo,
Eu disse-lhe um segredo:
"Não partas nunca mais".
E dançou,
Rodou no chão molhado,
Num beijo apertado
De barco contra o cais.
Uma asa voa
A cada beijo teu,
Esta noite sou
Dono do céu,
Eu não sei quem te perdeu.
Abraçou-me
Como se abraça o tempo,
A vida num momento
Em gestos nunca iguais.
E parou,
Cantou contra o meu peito,
Num beijo imperfeito
Roubado nos umbrais.
E partiu
Sem me dizer o nome,
Levando-me o perfume
De tantas noites mais.
Uma asa voa
A cada beijo teu,
Esta noite sou
Dono do céu,
Eu não sei quem te perdeu.

Pedro Abrunhosa

sábado, 2 de agosto de 2008

As Rosas

As Rosas

Quando à noite desfolho e trinco as rosas
É como se prendesse entre os meus dentes
Todo o luar das noites transparentes,
Todo o fulgor das tardes luminosas,
O vento bailador das primaveras,
A doçura amarga dos poentes,
E a exaltação de todas as esperas.

Sophia de Mello Breyner Andresen

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Sem ti...

O sol e o dia brilham mas, sem ti,
Talvez não sejam mais o sol e o dia.
O sol e o dia agora
Estão lá onde o teu sorriso mora
E não aqui.

Sophia de Mello Breyner