domingo, 28 de setembro de 2008

28 de Setembro - Dia Mundial do Coração

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Tenha um CORAÇÃO para a VIDA!

Informe-se no site da Fundação Portuguesa de Cardiologia


Poema do Coração

"Eu queria que o Amor estivesse realmente no coração,
e também a Bondade,
e a Sinceridade,
e tudo, e tudo o mais, tudo estivesse realmente no coração
Então poderia dizer-vos:
"Meus amados irmãos,
falo-vos do coração",
ou então:
"com o coração nas mãos".

Mas o meu coração é como o dos compêndios
Tem duas válvulas ( a tricúspide e a mitral)
e os seus compartimentos (duas aurículas e dois ventrículos).
O sangue a circular contrai-os e distende-os
segundo a obrigação das leis dos movimentos.

Por vezes acontece
ver-se um homem, sem querer, com os lábios apertados
e uma lâmina baça e agreste, que endurece
a luz nos olhos em bisel cortados.
Parece então que o coração estremece.
Mas não.
Sabe-se, e muito bem, com fundamento prático,
que esse vento que sopra e ateia os incêndios,
é coisa do simpático.
Vem tudo nos compêndios.

Então meninos!
Vamos à lição!
Em quantas partes se divide o coração?"

António Gedeão

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Imaginação...

Entrei no café com um rio na algibeira
e pu-lo no chão,
a vê-lo correr
da imaginação...

A seguir, tirei do bolso do colete
nuvens e estrelas
e estendi um tapete
de flores
a concebê-las.

Depois, encostado à mesa,
tirei da boca um pássaro a cantar
e enfeitei com ele a Natureza
das árvores em torno
a cheirarem ao luar
que eu imagino.

E agora aqui estou a ouvir
A melodia sem contorno
Deste acaso de existir
-onde só procuro a Beleza
para me iludir
dum destino.

José Gomes Ferreira

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Semente...

SEMENTE...


No ardor dos corpos flamejantes

fundiu-se no solstício a semente

dos dias difíceis e distantes.

Enfunaram-se as velas da bonança,

cresceram nos campos girassóis,

transbordaram os rios de esperança

reluzindo como brilho de mil sóis.

Em Setembro suspirou e deu o fruto

que o calor do tempo tornou maduro

e dele um dia desabrochou

aquele coração que é o mais puro.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Quando eu nasci...

Quando eu nasci,
Ficou tudo como estava.

Nem homens cortaram veias,
Nem o Sol escureceu,
Nem houve Estrelas a mais...
Somente,
Esquecida das dores,
A minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
Não houve nada de novo
Senão eu.
As nuvens não se espantaram,
Não enlouqueceu ninguém...

P'ra que o dia fosse enorme,
Bastava
Toda a ternura que olhava
Nos olhos de minha Mãe...

Sebastião da Gama



(Este poema foi-nos enviado por uma professora da nossa escola que, hoje, comemora mais um aniversário. Não revelamos a sua identidade porque nos pediu que mantivéssemos o anonimato.

Os nossos Parabéns e votos de Felicidades!)

sábado, 20 de setembro de 2008

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

O Carinho não precisa de legendas...



(Fotos enviadas pela professora Zulmira Ramos)

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Reflexão... em início de ano lectivo.

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

Ricardo Reis
(Este poema de Ricardo Reis, heterónimo de Fernando Pessoa, foi-nos gentilmente enviado por LN)

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Calendário Escolar - 2008/2009

Calendário Escolar
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sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Recomeçar...

Neste Recomeço...

Onde queres chegar? Ir alto? Sonha alto...
Deseja o melhor do melhor... Deseja coisas boas para a vida...
Pensando assim, traremos para nós aquilo que desejamos...
Se pensarmos pequeno, coisas pequenas teremos...
Se desejarmos fortemente o melhor e principalmente lutarmos pelo melhor, o melhor vai instalar-se na nossa vida...

Carlos Drummond de Andrade (adaptado)

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Boas Férias!

Apesar de termos prometido que o "Arrumadores de Palavras" não encerraria para férias, surgiram imprevistos que nos vão obrigar a quebrar a "promessa".
A partir de hoje, e até final deste mês, estaremos ausentes.
Regressaremos com energia redobrada e muitas novidades!
Até lá... BOAS FÉRIAS!

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

O limpa-palavras

O limpa-palavras

Limpo palavras.
Recolho-as à noite, por todo o lado:
A palavra bosque, a palavra casa, a palavra flor.
Trato delas durante o dia
Enquanto sonho acordado.
A palavra solidão faz-me companhia.

Quase todas as palavras
Precisam de ser limpas e acariciadas:
A palavra céu, a palavra nuvem, a palavra mar.
Algumas têm mesmo de ser lavadas,
é preciso raspar-lhes a sujidade dos dias
E do mau uso.
Muitas chegam doentes,
Outras simplesmente gastas, estafadas,
Dobradas pelo peso das coisas
Que trazem às costas.

A palavra pedra pesa como uma pedra.
A palavra rosa espalha o perfume no ar.
A palavra árvore tem folhas, ramos altos.
Podes descansar à sombra dela.
A palavra gato espeta as unhas no tapete.
A palavra pássaro abre as asas para voar.
A palavra coração não pára de bater.
Ouve-se a palavra canção.
A palavra vento levanta os papéis no ar
E é preciso fechá-la na arrecadação.

No fim de tudo voltam os olhos para a luz
E vão para longe, leves palavras voadoras
Sem nada que as prenda à terra,
Outra vez nascidas pela minha mão:
A palavra estrela, a palavra ilha, a palavra pão.

A palavra obrigado agradece-me.
As outras, não.
A palavra adeus despede-se.
As outras já lá vão, belas palavras lisas
E lavadas como seixos do rio:
A palavra ciúme, a palavra raiva, a palavra frio.
Vão à procura de quem as queira dizer,
De mais palavras e de novos sentidos.
Basta estenderes um braço para apanhares
A palavra barco ou a palavra amor.

Limpo palavras.
A palavra búzio, a palavra lua, a palavra palavra.
Recolho-as à noite, trato delas durante o dia.
A palavra fogão cozinha o meu jantar.
A palavra brisa refresca-me.
A palavra solidão faz-me companhia.

Álvaro Magalhães

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Palavras...


Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O'Neill

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Mistérios da Natureza...

Gaivotas

(...) Tive a oportunidade de apreciar um espectáculo natural (e natural significa sem a intervenção da mão do homem) maravilhoso, que me deixou de boca aberta, tal era a perfeição com que todos os movimentos eram executados. Na tarde do primeiro dia de Janeiro estive algum tempo em frente ao mar. Estava revolto mas lindo como sempre. Sobre o extenso areal, gaivotas, muitas gaivotas "brincavam" e o termo apropriado é mesmo este, brincavam no ar em pleno voo.
Reparei então que as gaivotas desciam rapidamente à areia, prendiam no bico pequenas conchas, levantavam voo e a uma altura, sensivelmente de 6 ou 7 metros, largavam a concha presa no bico. Esta, pela força da gravidade, descia na vertical. A gaivota impulsionando o corpo, descia a pique e tentava apanhar a concha largada segundos antes, em pleno voo.Quando não conseguia, descia novamente, apanhava a concha, elevava-se no ar e voltava a largá-la, para voltar a apanhá-la ainda no ar.
Foi um espectáculo! Estive a admirar estes jogos de gaivotas, perto de uma hora e deu-me que pensar.
Quem ensinou estes seres a brincar?
Por que o faziam?
Como o Homem arranja sempre explicação para tudo, imaginámos que seria para treino, ou até para ensinar as crias a recuperarem os peixes que depois de apanhados lhes possam cair do bico, em voo.

Profª Margarida Rita
(excerto de e.mail enviado em Janeiro deste ano)

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Tempo...

Tempo

Dou-te o tempo,
dou-te o vento,
dou-te as asas
de um momento.
Dou-te a terra,
dou-te a enxada,
dou-te as mãos
pela alvorada.
Dou-te o frio,
dou-te a chama,
dou-te o fogo
de quem ama.
Dou-te a sede,
dou-te o vinho,
dou-te o cacho
de um carinho.
Dou-te a fome,
dou-te o pão,
dou-te a espiga
de uma paixão.
Dou-te a noite,
dou-te a luz,
dou-te o brilho
que me seduz.
E quando nada mais
tiver para te dar,
ficarei à tua espera
com tempo p’ra te amar.

domingo, 3 de agosto de 2008

Nostalgia em fim de tarde...


(Ligar o som)

EU NÃO SEI QUEM TE PERDEU

Quando veio
Mostrou-me as mãos vazias,
As mãos como os meus dias,
Tão leves e banais.
E pediu-me
Que lhe levasse o medo,
Eu disse-lhe um segredo:
"Não partas nunca mais".
E dançou,
Rodou no chão molhado,
Num beijo apertado
De barco contra o cais.
Uma asa voa
A cada beijo teu,
Esta noite sou
Dono do céu,
Eu não sei quem te perdeu.
Abraçou-me
Como se abraça o tempo,
A vida num momento
Em gestos nunca iguais.
E parou,
Cantou contra o meu peito,
Num beijo imperfeito
Roubado nos umbrais.
E partiu
Sem me dizer o nome,
Levando-me o perfume
De tantas noites mais.
Uma asa voa
A cada beijo teu,
Esta noite sou
Dono do céu,
Eu não sei quem te perdeu.

Pedro Abrunhosa

sábado, 2 de agosto de 2008

As Rosas

As Rosas

Quando à noite desfolho e trinco as rosas
É como se prendesse entre os meus dentes
Todo o luar das noites transparentes,
Todo o fulgor das tardes luminosas,
O vento bailador das primaveras,
A doçura amarga dos poentes,
E a exaltação de todas as esperas.

Sophia de Mello Breyner Andresen

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Sem ti...

O sol e o dia brilham mas, sem ti,
Talvez não sejam mais o sol e o dia.
O sol e o dia agora
Estão lá onde o teu sorriso mora
E não aqui.

Sophia de Mello Breyner

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Boas Férias! :-)

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terça-feira, 29 de julho de 2008

Amigo é...

Amigo

Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo».

«Amigo» é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!

«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!
«Amigo» é o erro corrigido,

Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.

«Amigo» é a solidão derrotada!

«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!

Alexandre O’Neill
(Poema enviado por um Amigo)

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Amigo...


Procura-se um amigo...

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração.

Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir.

(...)

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância.

Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade.

(...)

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo.

Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

Vinicius de Moraes