sábado, 3 de maio de 2008

Saudades...

Não minha mãe. Não era ali que estava.
Talvez noutra gaveta. Noutro quarto.
Talvez dentro de mim que me apertava
contra as paredes do teu sexo-parto.

A porta que entretanto atravessava
talhada no teu ventre de alabastro
abria-se fechava dilatava.
Agora sei: dali nunca mais parto.

Não minha mãe. Também não era a sala
nem nenhum dos retratos de família
nem a brisa que a vida já não tem.

Talvez a tua voz que ainda me fala...
... o meu berço enfeitado a buganvília...
Tenho tantas saudades, minha mãe!

José Carlos Ary dos Santos

3 comentários:

Prof. Cipriano disse...

Não conhecia este belo poema do Ary.

Realmente, aqui, encontramos sempre novidades:)

Quanto à foto... bem... esta menina prometia. Por onde andará ela hoje?

Uma linda homenagem à Mãe.

Anónimo disse...

Esta menina
"não tinha tranças pretas
mas caçava borboletas
como quem corria atrás
de uma ilusão..."

Só que o tempo foi passando e a menina de tranças loiras cresceu, transformou-se numa mulher e percebeu que a ilusão não era mais do que... uma ilusão... :-( e desistiu de "correr"...

Profª Eufémia disse...

Minha querida "anónima":

Nunca por nunca desista de correr.
Corra, corra, até que os pés lhe doam...

E não se importe de perder uma ilusão se, em contrapartida, conseguir encontrar uma verdade !